OS GURUS MERCENÁRIOS

OS GURUS MERCENÁRIOS

Por
 Sulocana dasa (Steve Bryant)
O primeiro mártir vaishnava no ocidente, assassinado em 1986 ao expor a corrupção no Movimento Hare Krishna


Traduzido do original em inglês “THE GURU BUSINESS”

ÍNDICE
Capítulo 1 – Eles serão apenas showPureza é a verdadeira força por trás de qualquer movimento espiritual genuíno. Prabhupada predisse que seus "líderes" não iriam viver de acordo com o padrões que ele estabeleceu pessoalmente.
Capítulo 2 – Não me desonremA ambição pessoal dos "chefões" e como isso arruinou a Sociedade e trouxe desonra ao bom nome de Prabhupada.
Capítulo 3 – Gurus baratos, discípulos baratosA verdade sobre o mestre espiritual. Como um guru é fidedigno não por nomeação, mas sim por uma vida sincera de trabalho duro e devoção.
Capítulo 4 – Qual é a sua filosofia? Primeiro passo para a sanidade: Um confronto baseado em lógica e nas escrituras.
Capítulo 5 – Apenas para castigar os malfeitoresSrila Prabhupada não era um sentimentalista. Ao contrário, ele ensinou que a violência é frequentemente necessária para combater o mal. Se tudo mais falhar, pode ser necessário usar a força a fim de parar a imposição dos "gurus" na ISKCON.
Capítulo 6 – Deixe que eles cavem seus próprios túmulosEsta famosa citação de Sridhara Maharaja é uma das centenas de citações que contradizem os ensinamentos de Srila Prabhupada e que ajudaram os “gurus nomeados” da ISKCON a "cavarem seus próprios túmulos." Infelizmente, a ISKCON foi enterrada junto. Srila Prabhupada havia especificamente advertido para não seguir o conselho de Sridhara Maharaja.
Capítulo 7 – Uma estória muito humana - Plantando a erva daninha Como a biografia "autorizada" do fundador da ISKCON minimiza as qualificações de um verdadeiro santo e assim entrega o reinado a charlatões que estão ansiosos para lucrar com seus negócios no papel de "gurus".
Capítulo 8 - A conspiraçãoUma contínua história que mostra os eventos mais importantes da usurpação e os esforços feitos para impedi-la, começando em 1977. [Incompleto]
Capítulo 9 – Mulheres na ISKCON: Protegidas ou exploradas? Como os líderes da ISKCON, especialmente os "gurus" manipulam mulheres inocentes para seu próprio egoístico lucro, adoração e distinção. Assim na ISKCON há uma taxa de divórcio de 90%. Também a verdadeira razão pela qual Prabhupada deu sannyasa a discípulos sexualmente inclinados.
Capítulo 10 – Um louco: Kirtanananda 'Swami'O primeiro a ser desmascarado em uma série sobre os corruptos "gurus" da ISKCON. A história por trás de seu culto de personalidade, incluindo a verdade sobre o "PALÁCIO DE OURO", uma atração turística em West Virginia.


APÊNDICES
Número 5 – Carta de Radhanatha Dasa ao seu "guru", Satsvarupa. Número 8 – Artigo de Rohini Kumar Swami sobre os "gurus regulares". Número 10 – Relatório do GBC em 1978 sobre técnicas de exploração sexual de mulheres. Número 12 – O depoimento de Mãe Mahara sobre aborto e sexo ilícito: A verdadeira New Vrindavan. Número 18 – Entrevista sobre a vida sexual sutil de Hrdayananda. Número 20 – As verdadeiras transcrições da "nomeação" de maio e junho de 1977. Número 22 – Documento do GBC legitima rompimento matrimonial. Número 25 – Entrevista sobre a exploração sexual de mulheres em New Vrindavan. DAS Devotee Access Services (Serviços de acesso para os devotos) – Um serviço de informação interna para devotos em toda parte.O reino por Sulocana dasa


PRÓLOGO DA EDIÇÃO EM PORTUGUÊS


Entregue-se com inteligência, mas não entregue sua inteligência.”
Srila Prabhupada


Vinte cinco anos se passaram desde o assassinato de Sulocana dasa, mas pouco mudou: seguem os mesmos casos de exploração, abuso, pedofilia, extorsão, roubo e muitos outros crimes em nome de “religião”, perpetrados principalmente por líderes que se dizem ser “tão bons quanto Deus”. E mais surpreendente que isto, seguem os mesmos tipos de fanáticos que os adoram cega e incondicionalmente, não importa o que eles façam. Um dos pontos altos deste ciclo resultou em um processo judicial nos Estados Unidos no ano 2000 no qual o advogado Widle Turley defendeu 95 clientes que haviam sido estudantes internos na ISKCON (Sociedade Internacional para a consciência de Krishna) durante a infância, demandando uma indenização de 400 milhões dólares por terem sido molestados de 34 formas diferentes, incluindo estupro, espancamento e inúmeros tipos de tortura. A estimativa é que mais de mil crianças passaram por isso, muitas das quais cometeram suicídio. O caso foi ganho e a repercussão na mídia causou efeitos devastadores para o assim chamado movimento Hare Krishna na América do Norte. Apesar disso, sujeitos como Sri Galima e Bhavananda, uns dos maiores responsáveis pelo abuso sexual de centenas de meninos nos EUA e Índia respectivamente, continuam até hoje mantendo postos de liderança na ISKCON – uma simples tática do GBC (Comissão do corpo governamental) para mantê-los de boca calada, afinal, lealdade tem o seu preço. Curiosamente, os “líderes” da ISKCON insistem em dizer que nada aconteceu, ou se houve algo, foi “coisa pequena” e que “já passou”, uma política que funciona bem em países onde a falta de conhecimento da língua inglesa – e a consequente falta de informação – ainda faz com que muitos prosélitos acreditem.




A história de Sulocana dasa é bastante semelhante à história de muitos dos que entram para a ISKCON. A pureza da mensagem nos livros de Srila Prabhupada (fundador da ISKCON original) e a potência do santo nome do Senhor Krishna atraem milhares de almas em busca de conhecimento espiritual e uma vida genuinamente devotada a Deus. Naturalmente muitas dessas almas sentem-se inspiradas a se dedicar completamente à ISKCON, acreditando ser esta a mesma instituição fundada por Prabhupada. Logo em seguida elas são levadas a crer que Prabhupada apontou um grupo de discípulos para serem os novos “gurus”, e que todos aqueles que são sinceros devem se render a eles aceitando “iniciação” e os adorando, ao ponto de lavar os seus pés e beber a água. Pouco sabem elas que mesmo enquanto Prabhupada estava entre nós alguns de seus assim chamados discípulos já haviam conspirado para usurpar a sua posição e tomar o controle da Sociedade. Tampouco suspeitam elas que muitos de tais “gurus” são homicidas, pedófilos e muito mais. Sulocana dasa foi o pioneiro em desmascarar esta farsa, e sacrificou a própria vida nesta missão. Sua principal arma nesta batalha foram as próprias palavras de Srila Prabhupada em cartas pessoais aos seus discípulos. Naqueles dias as cartas eram mantidas nos arquivos da BBT (Bhaktivedanta Book Trust) como altamente confidenciais, e o acesso a elas era absolutamente proibido. A razão tornou-se óbvia no devido tempo: as cartas contém material bastante revelador no qual o próprio Prabhupada descreve o verdadeiro caráter de alguns de seus ambiciosos discípulos, bem como os problemas que eles causaram para ele. Pelo arranjo da divina providência, Sulocana foi o primeiro a divulgar estas cartas para o benefício de todos aqueles que desejam saber a verdade.
Inspirados por Sulocana, em 1988 John Hubner e Lindsey Gruson publicaram o livro “Monkey on a stick – Murder, Madness and the Hare Krishnas” (Macaco no espeto – Assassinato, loucura e os Hare Krishnas), descrevendo em maiores detalhes os escândalos e atrocidades cometidas em New Vrindavan (uma comunidade em West Virginia, EUA) durante o “reinado” de Kirtanananda a partir de 1978. O título alude a uma prática comum na Índia: quando grupos de macacos causam muitos danos em uma plantação ou área residencial, o povo mata um deles e o pendura em espeto como um aviso aos outros macacos. Foi isso o que fizeram a Sulocana, morto com dois tiros na cabeça na madrugada do dia 22 de maio de 1986 em Los Angeles. O autor do disparo foi Tirtha dasa (Thomas Drescher), que admitiu tê-lo feito sob a instrução de seu “guru”, Kirtanananda Swami (Keith Ham). De acordo com várias testemunhas, Radhanatha Swami (Richard Slavin) foi cúmplice no plano e pagou a quantia de seis mil dólares para Tirtha, apenas parte do combinado. Em novembro de 1986 o filho de Sulocana, de três anos de idade, foi encontrado morto em um lago em New Vrindavan. Tendo uma extensa ficha criminal, Tirtha foi condenado a passar o resto da vida na prisão, onde em julho de 1987 o então Umapati Swami lhe deu iniciação de sannyasi como “recompensa”, e até hoje segue sendo glorificado, pago e bajulado pelos “líderes” da ISKCON. Dois dias depois que Tirtha foi preso, a principal testemunha contra ele, Randall Gorby, quase morreu devido a uma suspeita explosão em sua casa, mas acabou sendo assassinado em 1990 para que não pudesse depor contra Kirtanananda. Kirtanananda teve que responder a acusações de pedofilia, abuso infantil, tráfico de drogas, tráfico de armas, etc. e finalmente em 1996 o governo americano o condenou a vinte anos de prisão por extorsão e cumplicidade em homicídio. Alegadamente por motivos de saúde, ele cumpriu apenas oito anos e hoje continue se passando por “guru” em liberdade. Durante os dias do julgamento dele, o advogado de acusação, William Kolibash, teve seu carro baleado ao sair do tribunal. Radhanatha escapou pela tangente com a ajuda de seu pai, um influente mafioso em Chicago, e é hoje idolatrado como Deus na terra por milhares na Índia, onde ele se refugiou principalmente para evitar o FBI.

Uma das críticas comuns sofridas por Sulocana e outros que tentam lidar diretamente com os fatos como eles são é que devemos olhar apenas o lado bom das coisas e nunca as coisas más. Nesta mesma linha estão aqueles que consideram qualquer tipo de crítica contra os “devotos” algo gravemente herético e ofensivo. É devido justamente a este tipo de mentalidade que em tão poucos anos a ISKCON tornou-se um palco de atrocidades e aberrações sem precedentes na história do vaishnavismo, no qual indivíduos absolutamente sem escrúpulos são venerados simplesmente por sua vestimenta, posição e eloquência. A história se repete continuamente até o dia em que aprendemos a lição, mas para isto é necessário informação, discernimento e atitude. Srila Prabhupada provou através de sua própria vida ser um santo totalmente dedicado ao serviço a Deus e à humanidade, enquanto que aqueles que violaram suas instruções e fraudulentamente usurparam sua posição têm desde 1978 provado ser algumas da personalidades mais corruptas na história da religião mundial.

É nossa mais sincera esperança que os leitores tornem-se cientes de alguns destes fatos através deste livro, principalmente através das cartas de Srila Prabhupada citadas aqui1, e possam assim compreender que tudo o que tem acontecido deve-se unicamente a um grupo de pessoas que insiste em desautorizadamente se fazer passar por “gurus”, assim violando as ordens que ele dirigiu a todas as autoridades do movimento. Srila Prabhupada partiu deste mundo em novembro de 1977, segundo sua própria declaração sob suspeita de envenenamento, mas pouco antes disso ele claramente expressou suas últimas instruções em dois documentos por ele assinados. No seu testamento datado de 04 de junho de 1977, Prabhupada nomeou vários devotos para administrarem as diversas propriedades da ISKCON e ressaltou que quando algum deles morrer, outro deve ser nomeado “contanto que o novo diretor seja meu discípulo iniciado”. Na diretriz do dia 09 de julho de 1977, assinada por Prabhupada e endereçada a todos os membros do GBC e presidentes de templo, foi declarado por ele que todos aqueles que desejarem ser iniciados no futuro devem contatar os seus representantes, e que após devida consideração estes “devem aceitar o devoto como um discípulo iniciado por Srila Prabhupada”. Em outros palavras, enquanto a ISKCON existir todos os futuros candidatos deverão ser iniciados como discípulos diretos de Prabhupada. Embora ambos documentos expressem preto-no-branco o último desejo de Prabhupada com respeito aos processos de iniciação e administração a serem seguidos no futuro, estas instruções foram deturpadas e violadas de todas formas possíveis por pessoas que jamais concordarão em segui-las, pois afinal, ser um “guru” na ISKCON geralmente inclui acesso a milhões de dólares em capital e propriedades, poder, adoração, mulheres e, infelizmente, crianças. Foi por expor esta farsa que Sulocana e outros foram assassinados.






1 Durante a tradução, todas as cartas citadas aqui foram conferidas de acordo com o Bhaktivedanta Vedabase, versão 2011.1, um programa distribuído pela BBT que contém a obra completa de Srila Prabhupada.

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