Um Brusco Despertar



PREFÁCIO
UM BRUSCO DESPERTAR
Quando comecei a ler as cartas pessoais de Srila Prabhupada aos seus discípulos, eu estava primeiramente procurando por citações sobre casamento. Naquela época eu estava desesperado para tentar salvar meu próprio casamento. Embora este fosse meu principal motivo, eu também sabia que era meu dever moral tentar salvar minha esposa e filhos de um possível perigo. Dessa forma, eu comecei minha pesquisa com as bênçãos do Senhor da moralidade, Sri Caitanya Mahaprabhu. Já que eu estava me dirigindo ao Seu principal representante, Srila Prabhupada, para obter orientação e inspiração, eu sabia que o resultado seria auspicioso, o que quer que fosse. Eu não tinha idéia de onde a minha pesquisa iria me levar. Eu apenas sabia que algo estava para explodir, e eu não queria que fosse eu. Eu não estava especialmente preocupado com a vasta “questão dos gurus” que os “líderes” da ISKCON (Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna) enfrentam hoje em dia. Principalmente, eu queria salvar minha própria família, esperando que isso fosse parte do plano do Senhor.
Anteriormente, eu havia passado por uma vida de casado um tanto desapontadora. Minha esposa estava devotando seu coração a outro homem, e assim naturalmente isso acabava com qualquer chance de termos uma relação significativa. Vivendo nessa situação um tanto estagnada, eu não estava inclinado a encarar o fato de que ela era infiel. Aceitando cegamente o que me disseram ser a missão de meu mestre espiritual e seus representantes autorizados, eu continuei sendo crédulo e ingênuo. Esta simplicidade não me proporcionou nem o desejo nem a oportunidade de sequer imaginar o que se espreitava na mente dos outros. Como dizem, o marido é sempre o último a saber.
Finalmente, em junho de 1984, com bastante incentivo do "guru" a quem ela estava se devotando, alguém chamado Kirtanananda "Swami", minha esposa decidiu me deixar para se dedicar a ele, embora eu tivesse dois filhos pequenos com ela. Naquela época, eu sabia muito pouco sobre Kirtanananda, então eu estava um pouco cauteloso sobre criticá-lo abertamente por interferir em meu casamento. O fato de que seus “discípulos” têm mais armas do que cérebros também me desencorajou de desafiá-lo abertamente. Minha esposa também sabia muito pouco sobre ele, exceto pela propaganda constantemente repetida aos crédulos neófitos no campo dele, do tipo “ele é o discípulo mais antigo de Srila Prabhupada e o primeiro sannyasi”, ou “ele construiu o Palácio de Prabhupada”. Esse tipo de coisa. De fato, nenhum de nós realmente sabia algo sobre ele, assim ela concordou que eu fosse a Los Angeles e fizesse uma pesquisa, e caso eu encontrasse algo suspeito, eu deixaria ela saber. Ela disse que se esse fosse o caso, ela iria então se juntar a mim.
Eu concordei em me juntar a ela no campo de Kirtanananda se a ficha dele estivesse limpa. Tolamente, eu pensei que ela estava sendo sincera neste arranjo. Pouco sabia eu que antes que a poeira levantada pelos meus pneus tivesse caído na estrada, ela já havia sido dada para satisfazer os desejos carnais de um dos fiéis seguidores de Kirtanananda, Raghunatha, um homem tão desesperado por sexo que ele costuma apalpar os seios e coxas das devotas, mesmo que sejam casadas. Kirtanananda precisa de muitas mulheres para homens leais e trabalhadores como Raghunatha, e que desejam mais da vida do que mero trabalho. Uma vez que Kirtanananda podia ver que eu não era um de seus cegos e fiéis seguidores (“Sulocana, você simplesmente não é dos meus”), eu naturalmente não tinha nenhuma utilidade para ele. Mas os seus trabalhadores solteiros e agitados ficariam muito satisfeitos com alguém como a minha esposa. Afinal, por quanto tempo poderia um jovem ficar satisfeito apenas com um buraco na parede do banheiro feminino no templo?
Assim, quando minha esposa expressou a Kirtanananda o seu desejo de ficar em New Vrindavan, apesar de minha intenção de partir, ele não hesitou em dizer a ela: “Tudo bem, deixe ele ir. Eu irei cuidar de você.” Nem sequer ocorreu a ele que me consultasse, o que seria certamente o dever de um líder de uma verdadeira comunidade religiosa. Tendo sido um homossexual a vida toda, e sendo repudiado pelas mulheres – “Bem rapazes, tragam o incenso. É noite de peixe.”(Kirtanananda pensa que mulheres cheiram como peixe) – ele dificilmente podia aconselhar casais sobre obrigações morais, mesmo que ele quisesse. Porém, apesar de seus sentimentos pessoais, ele precisa de mulheres para os seus discípulos heterossexuais que eventualmente o deixariam se ele não fornecesse uma parceira sexual a eles. Assim, sendo uma cidadã britânica e um tanto culta, pelo menos para os padrões de New Vrindavan, minha esposa era como um “peixe grande” para ele. Infelizmente, eu descobri tudo isso tarde demais.
Então eu fui forçado a fazer uma escolha terrível: “Afunde ou nade.” Estava fora de questão ignorar tudo e começar vida nova como os meus pais estavam me incitando. Eu não podia realmente censurá-los. Estava bastante claro que ou eu estava indo rumo à câmara de gás para executar Kirtanananda, ou rumo a um colapso se eu perdesse meus filhos. Em provações similares, muitos de meus irmãos espirituais haviam procurado um escape ilusório por meio de drogas, sexo, televisão, violência, e em última análise, suicídio espiritual. Eu podia ter passado por uma ou todas essas rotas. Eu tinha dinheiro e estava livre de qualquer obrigação imediata ou dívidas. Felizmente, todavia, o Senhor tinha um plano diferente para mim. Neste ponto eu já havia escutado e lido o suficiente sobre Kirtanananda para saber que eu tinha que me esforçar o melhor possível para tentar salvar meus filhos de suas garras, embora estivesse claro que minha esposa estava completamente sob seu controle. Assim, sofrendo o estresse de ter meus filhos tirados de mim à força pelos braços fortes de Kirtanananda, e tendo perdido cerca de dezoito quilos como resultado, eu decidi tomar uma posição, praticamente sozinho, contra um dos mais ricos e mais corruptos homens na ISKCON. Isso foi depois de quase cinco anos de letargia espiritual.
Sabendo que Kirtanananda havia atacado Srila Prabhupada no final dos anos sessenta na sua primeira tentativa de usurpar o movimento, eu imaginei que se eu pudesse obter todas as cartas lidando com esse incidente, então eu teria algo tangível para mostrar à minha esposa sobre o verdadeiro caráter do seu novo “protetor”. Tendo anteriormente indexado livros para a editora da ISKCON, a BBT, eu retomei aquele serviço com um objetivo em mente: ter acesso às cartas de Prabhupada. Porém, devido à minha aflição, eu não fui capaz de esconder minhas verdadeiras intenções. Assim eles se recusaram a deixar que eu as obtivesse. Esta luta continuou por cerca de dois meses, quando, pela misericórdia do Senhor, eu encontrei um devoto que havia anteriormente subornado o departamento dos arquivos – o que não foi nada barato – por uma coleção completa. Ele simpatizou com minha estória, tendo também sido apunhalado pelas costas por um tirano da ISKCON, e me emprestou sua própria coleção. Pela primeira vez em meses eu senti esperança de recuperar meus filhos, embora eu soubesse que ainda levaria muito tempo antes que eu pudesse vê-los a salvo. Logo depois deste avanço eu fiz uma grande venda de jóias, o que permitiu que eu comprasse meu computador. Parecia que o Senhor estava definitivamente comigo.
As cartas continham todos os segredos que eu esperava e ainda mais. Eu sabia que seria minha tarefa fazer com que a verdade nestas cartas fosse conhecida por todos. Esse foi o começo de um novo despertar em meu coração para um serviço que Ele já havia tão misericordiosamente arranjado para mim desde o começo – um serviço muito mais pesado do que eu seria capaz de suportar, ou mesmo considerar, se eu tivesse permanecido no escuro, poço fundo e desencorajador de uma companhia feminina infiel (não confundir com uma esposa devotada). Embora a provação fosse dolorosa, era uma experiência purificadora pela qual eu estava desejando. Eu profundamente dei-lhe boas-vindas. Então, no dia 11 de outubro de 1984, eu postei uma carta para todos os centros da ISKCON abertamente declarando guerra contra Kirtanananda e toda a Sociedade se minha família não fosse entregue de volta a mim intacta. A Sociedade ignorou-me. Dificilmente recebi alguma reposta. Já que silêncio automaticamente significa aceitação, eu sabia que minhas acusações eram corretas e que era apenas uma questão de tempo antes que e verdade triunfasse. Daquele ponto em diante eu estava condenado a viver constantemente me escondendo dos adoradores de Kirtanananda, que teriam me matado em um instante se eles soubessem onde eu havia estacionado o meu trailer, onde eu escrevia sem parar.



O PROPÓSITO DESTE LIVRO
Embora muitos ingredientes sejam os mesmos, este não é um conto ordinário de uma mulher traindo seu marido com outro homem. Certamente ela contém sua intriga e duplicidade, mas esta estória vai muito além do melodrama matrimonial ordinário. As profundas dimensões sobre a agressão cometida por Kirtanananda contra mim são óbvias. Caso contrário, ele nunca haveria corrido tal risco por esta mulher, que nem sequer é uma coletora de fundos. Este era o motivo padrão na ISKCON, como vocês verão no capítulo sobre exploração sexual de mulheres. Ao invés disso, este conflito vai fundo na raiz dos problemas da ISKCON. O destino certamente arranjou que através deste incidente, a necessária polarização entre estes cultos de personalidade e a verdadeira missão de Srila Prabhupada aconteça. O inimigo terá sido positivamente identificado. Meu amor pessoal pelos meus filhos, que ainda estão cativos nas garras de Kirtanananda, é assim não mais a única ou mesmo a principal força motivadora por trás deste livro. Vocês escutarão apenas a minha agonia pessoal nesta pintura, já que existem centenas, senão milhares de vítimas como eu. Eu posso agora simpatizar completamente com todas elas. A injustiça específica cometida contra mim certamente será retificada no devido tempo, pois eu trabalho incessantemente para expor a corrupção fundamental sobre o que apenas parece ser o movimento ISKCON, mas que na verdade representa a traição de nosso mestre espiritual, Srila Prabhupada.
Quando eu comecei minha busca através das cartas, descobri algo mais elevado do que meus problemas matrimoniais e que eu sabia que deveria compartilhar com todos. Eu descobri que Srila Prabhupada não é um homem comum. Claro, eu havia lido todos os livros de Prabhupada várias vezes, como a maioria dos devotos, e eu havia indexado uma meia dúzia. Eu sabia sem dúvida alguma que Prabhupada havia nos introduzido a uma cultura espiritual pura em sua totalidade, e eu apreciei muito isso. Ainda assim, naquela época eu não compreendia a pessoa Prabhupada. Afinal, eu nunca pude trocar mais do que umas poucas palavras com ele enquanto ele estava fisicamente presente.
Então, quando eu comecei a ler as palavras de Srila Prabhupada de uma forma que eu podia relacionar na prática, eu me senti mais próximo ao seu modo de vida pessoal. Pela primeira vez, eu realizei que a vasta inteligência de Srila Prabhupada não era como a de um gênio comum. Ele certamente tinha a resposta perfeita para tudo o que perguntassem, mas ao mesmo tempo manifestava uma personalidade tão magnânima e clemente que não me deixava opção senão me devotar completamente a ele. Quem mais, senão um santo poderia ser tão compassivo? Sua direta associação através destas cartas reacendeu em mim a esperança de que um dia eu também poderia me tornar puro. Isso tudo foi muito encorajador e permitiu que eu assumisse um desejo muito além da vingança. Eu podia ver nas cartas de Prabhupada como um santo de verdade lida com as pessoas de uma forma pessoal no dia-a-dia. Qualquer um pode escrever um livro sobre Deus e atrair discípulos, mas de fato, realizar Deus e viver como um santo de verdade, vinte quatro horas por dia, em uma sociedade predominantemente irreligiosa como a nossa – agora eu podia entender quão especial Srila Prabhupada era.
Foi então que pela primeira vez eu observei seriamente a atual questão dos “gurus” na ISKCON. Eu podia ver claramente que estes novos “gurus” não se comparavam a Srila Prabhupada de forma alguma e que eles apenas externamente posavam como santos. Claro, eu tinha experiência pessoal de que muitos deles estavam longe de serem santos. Mas eu não estava fazendo nada a este respeito, já que eu não compreendia completamente a grandeza pessoal de Srila Prabhupada. Assim, ficou bastante evidente para mim que a imitação feita por eles está na verdade criando um engodo que afasta os devotos para longe de Srila Prabhupada. Ironicamente, isto estava sendo feito pelas mesmas pessoas que se faziam passar pelos discípulos mais queridos de Prabhupada. Isto tornou-se um grande desvio. Quando outros "gurus" posam como fidedignos sem se fazer passar por Prabhupada ou Krishna, discípulos sinceros não têm muitos problemas em reconhecê-los pelo que eles de fato são. Porém, ao imitar Srila Prabhupada, os novos "gurus" da ISKCON, estes assim chamados representantes oficiais de Prabhupada, estão na verdade, aos olhos de muitos, rebaixando Prabhupada ao nível de existência deles, geralmente abominável. Ao realizar isto, eu fiquei determinado a divulgar as muitas citações que revelam como um verdadeiro devoto puro pensa e age para que todos tenham a chance de ver, assim como eu via agora, a diferença entre um santo como Srila Prabhupada e estes impostores.
Ler as cartas tornou-se um mistério intrigante para mim. Eu notei cuidadosamente os pequenos comentários que Prabhupada fazia sobre os líderes, especialmente o GBC (Corpo Governamental da ISKCON). Por exemplo, toda a estratégia de Prabhupada mudou drasticamente em julho de 1970. Ele começou a dar sannyasa (ordem de renunciados celibatários) livremente aos seus seguidores em vez de encorajá-los a casar. Ele parou de encorajar os devotos a abrir templos e em vez disso os encorajou a distribuir livros. E ele começou a escrever cartas muito pesadas indicando que o caráter de muitos dos seus discípulos líderes estava muito abaixo da média. Eu inclui estas cartas no capítulo dois. Elas claramente mostram porque Prabhupada se desgostou com estes “chefões” da Sociedade e porque no final ele decidiu deixar o planeta mais cedo.
Algumas pessoas poderiam precipitadamente concluir que eu fiz isto apenas por inveja ou para fazer fofoca. Este não é o fato de forma alguma. Por um lado, eu tinha que descobrir o status verdadeiro destas pessoas para tentar salvar meus filhos. Eu não queria acusar ninguém falsamente. Então, era essencial que eu soubesse a verdade sobre estes “gurus” que reivindicavam soberania absoluta sobre todos, mesmo ao ponto de achar que eles poderiam sequestrar as esposas e filhos de seus irmãos espirituais como quisessem. Eu tinha que saber: Estas pessoas são de fato queridas a Srila Prabhupada e avançadas espiritualmente? Ou elas apenas receberam altas posições para mantê-los longe de problemas, e não necessariamente tendo qualquer direito – o que dizer de monopólio – sobre avanço espiritual? Desnecessário dizer, eu acabei descobrindo.
Eu logo me senti mais uma vez animado a pregar. Muitas cartas eram para homens casados como eu, encorajando-os a serem audazes e abrirem templos. Em anos mais tarde quando eu entrei para a Sociedade em 1974, eu dificilmente sequer ouvia tais coisas. Aquela idéia havia sido mais ou menos substituída pela ênfase na distribuição de livros. Prabhupada de fato desencorajava abrir mais templos naquela época, já que ele estava vendo que os que haviam sidos abertos estavam sendo mal administrados e os membros estavam indo embora quase tão rápido quanto haviam vindo. Assim embora eu estivesse inspirado a abrir um templo, a dificuldade era que eu desejava que Prabhupada fosse justamente reconhecido no mundo todo, e não apenas onde eu e mais uns poucos outros “fora-de-casta” da ISKCON estivessem pregando. Assim, eu decidi que primeiro eu deveria fazer com que estas reveladoras e vitais cartas estivessem disponíveis a todos. Então eles poderiam também aumentar seu desejo de apresentar os ensinamentos de Prabhupada em vez da falsa filosofia destes novos “gurus”. Naquela época eu havia realizado que estas pessoas são na verdade a maior fonte de desprazer para Prabhupada, apesar do que muitos de nós foi levado a acreditar. Em uma carta, Prabhupada de fato disse que eles não eram os “verdadeiros trabalhadores”.
Assim, em resumo, os propósitos deste livro são quatro:
1) Deve ser revelado ao mundo quem Srila Prabhupada exatamente é, e como ele não tem absolutamente nada a ver com a atual corrupção entre os líderes da ISKCON. Esse tipo de coisa é o que a mídia gosta de publicar, e assim, isso é o que o povo geralmente pensa ser o verdadeiro movimento Hare Krishna. Porém, a intenção de Prabhupada era pura. Isto é bastante evidente quando vemos como ele lidava com as pessoas em seus pontos fortes e fracos de forma prática no dia-a-dia. Em outras palavras, ao contrário dos novos “gurus”, ele praticava o que pregava. Quando isto for percebido, será quase impossível para as pessoas que não têm verdadeira realização espiritual e pureza “enganar o público inocente”. Claro, muitas pessoas irão continuar a associar Srila Prabhupada com estes falsos gurus, mas pelo menos umas poucas pessoas sinceras na busca serão capazes de entender quem ele é.
2) Há uma necessidade urgente de aumentar e mesmo reacender o amor de seus próprios discípulos por Prabhupada. Em grande parte, eles deixaram a missão de Prabhupada devido à frustração e desencorajamento. Estes inescrupulosos novos “gurus” tentam nos convencer de que a maioria dos discípulos de Prabhupada deixaram a Sociedade porque eles são todos insinceros, luxuriosos, invejosos, etc. Eles abertamente afirmam que os únicos verdadeiros discípulos de Srila Prabhupada são aqueles que aceitam os novos “gurus” como santos fidedignos. Isto é um disparate. Prabhupada deixou claro em suas cartas o porquê 99 % dos devotos deixam a Sociedade: “Líderes revoltantes e com motivações pessoais.” Isso é tudo. Não há outra razão. Com liderança apropriada qualquer um pode ser feliz e encontrar refúgio no verdadeiro movimento de Srila Prabhupada. O verdadeiro movimento é feito para o mundo todo, não apenas para uns poucos fanáticos religiosos. Mas, primeiro deve haver líderes de verdade. Infelizmente, porque a maioria de nós é incapaz de “dar a outra face” indefinidamente, nós não fomos, e não somos capazes de tolerar constantemente o comportamento destas pessoas, que está se tornando progressivamente mais e mais satânico. Elas são a principal causa pela qual os discípulos deixaram a ISKCON mesmo enquanto Prabhupada estava fisicamente presente, o que dizer de hoje. Assim, na verdade os fiéis seguidores que têm ficado na ISKCON todos estes anos suportando estes “gurus” no seu jogo de imitar um santo são os verdadeiros ofensores ao devoto puro, não aqueles que simplesmente vão embora completamente desgostados. Todos os discípulos e seguidores de Srila Prabhupada devem mais uma vez se sentirem encorajados a assumir a verdadeira missão de Srila Prabhupada. Nós não devemos deixar que estes falsos gurus nos desencorajem mais.
3) Deve-se fazer um esforço para limpar a ISKCON e remover a influência dos líderes com motivações pessoais. Em outras palavras, nós devemos fazer com que os devotos acordem completamente para a política e duplicidade acontecendo por trás da fachada. A este respeito, alguns devotos têm nos criticado por assumir esta função de “achar defeitos” na ISKCON. Alguns destes críticos sem dúvida presumem que nós somos tão mal-intencionados quanto aqueles a quem estamos desmascarando. Assim, eles estão dizendo que nós devíamos nos concentrar apenas no aspecto “positivo”. Eles acham que nós devíamos apenas propagar sistematicamente os ensinamentos de Srila Prabhupada e ajudar outros devotos a encontrar serviços, esposas, comunidades, etc. Já que esta é uma reclamação bastante comum, nós gostaríamos de explicar porque nós estamos ansiosos para encontrar e expor tanto as coisas más quanto as boas.
Muitas pessoas sabem o que são furúnculos. Furúnculos são devido às impurezas no sangue, e se a ISKCON é vista como o corpo de Srila Prabhupada, então neste momento Srila Prabhupada está com um caso sério de envenenamento sanguíneo. Está rapidamente indo para a cabeça, que é a parte perigosa. Isto pode ser ignorado por algum tempo, o que a maioria dos devotos têm feito. Porém, no final, este furúnculo tem que ser confrontado por qualquer um que afirme ser sério sobre pregar a consciência de Krishna. Um furúnculo não pode ser simplesmente ignorado. Assim, embora os devotos de Srila Prabhupada possam estar muito ocupados com suas várias ocupações e responsabilidades, tanto dentro quanto fora da ISKCON, no final eles terão que parar tudo e enfrentar este furúnculo. Claro, alguns devotos estão observando, e alguns estão até mesmo tentando acabar com o veneno. Porém a verdadeira questão permanece: “Por quanto tempo podemos ter paciência antes que o corpo morra?” Diariamente muitas vidas são destruídas. Admito que é extremamente doloroso abrir um furúnculo, mas ainda assim é preciso fazê-lo, senão a dor ficará simplesmente insuportável e no final o corpo morrerá de envenenamento sanguíneo.
Há dois métodos para remover tal envenenamento sanguíneo. Um é lento e doloroso, o que a maioria dos devotos têm indiretamente apoiado desde 1978. Eles querem tolerar toda esta dor na esperança de que ela irá desaparecer por si mesma. Eles acham que eventualmente o GBC agirá em conjunto e, de alguma forma, limpará tudo. Essa idéia tem se mostrado menos e menos prometedora com o passar do tempo, já que as pessoas que supostamente iriam limpar tudo, ou seja, o GBC, são os principais ingredientes mantendo o próprio furúnculo. São eles que precisam ser removidos. Assim a maioria dos devotos agora concorda que estas anomalias não irão desaparecer pela ação do GBC; é preciso tomar uma atitude diretamente. Essa atitude começa com este livro. Este método de abrir o furúnculo e fazer com que o veneno fique claramente visível é o que mais se aproxima de um bisturi que fará o trabalho, e esperamos de que não mate o corpo todo no processo. Pelo menos este livro está suficientemente expondo o pus para mostrar claramente a urgência. Mas este não será o final. O trabalho está longe de completo. Agora que o pus está exposto e escorrendo, nós devemos confrontar a também difícil tarefa de espremê-lo, removê-lo, e então limpar e curar a ferida. Esta parte irá levar muito mais tempo e necessitará devotos sérios para executá-la. Assim, embora este método de abrir um furúnculo sempre deixe um problema, quando a aflição atinge um ponto de perigo, este sempre provou ser o único meio. Isso pode não ser muito agradável para muitos devotos, mas ainda assim alguém terá que fazê-lo mais cedo ou mais tarde, caso contrário o veneno letal chamado ambição pessoal irá facilmente “queimar a ISKCON até as cinzas”. Sabendo disto, nós vemos este desmascaramento como a única forma de salvar o legado de Srila Prabhupada, que no sentido absoluto é sua própria vida.
4) Existe agora um novo imperativo para inspirar casais a serem audazes e abrir templos. Este era o desejo de Srila Prabhupada desde o começo. Se alguém tem quaisquer aspirações neste sentido, então as cartas neste livro serão muito encorajadoras. Prabhupada escreveu frequentemente sobre este assunto, especialmente nos anos que antecederam a conspiração de 1970. Nós incluímos muitas daquelas cartas aqui. Quando milhares de devotos estão unidos, conquanto independentemente pregando a mesma mensagem no mundo todo, será bastante evidente quem de fato está avançando por seu esforço sincero em pregar, e não por uma “nomeação” inventada. O movimento da ISKCON nunca se destinou a ser um movimento de neófitos posando como renunciados, como é o caso atualmente. Uma sociedade de verdade depende de famílias responsáveis. A taxa de divórcio na ISKCON deve cair da estimativa de 75% - 90% para um número muito mais civilizado, antes de que qualquer tentativa de organizar uma verdadeira sociedade védica aconteça. Portanto, neste livro nós demos a mesma importância aos assuntos pertinentes à exploração de mulheres e ao casamento na tentativa de que isso acabe com a alta taxa de divórcio na ISKCON, que também é causada, primeiramente, pela interferência desautorizada dos novos "gurus".
Com estes quatro objetivos em mente, nós extraímos centenas de citações das cartas, todas destinadas a nos ajudar a entender o que aconteceu na ISKCON e o quê nós devemos fazer agora para corrigir e dar continuidade à missão de nosso mestre espiritual. Ler estas cartas é uma conexão direta à mente de Srila Prabhupada. Ler a mente de uma pessoa comum não é geralmente muito inspirador, havendo tantos pensamentos contaminados escondidos lá, mas a mente de Srila Prabhupada, que é puro, pode apenas nos ajudar a nos tornarmos puros. Sem dúvida, esta é uma das razões pelas quais Prabhupada escreveu tantas cartas (7.000 foram recuperadas até agora) em vez de usar o telefone. Não havia falta de dinheiro, especialmente nos últimos anos. Seus “grandes, grandes” discípulos usavam o telefone quase que exclusivamente (muito para o desagrado de Srila Prabhupada), enquanto que Prabhupada quase sempre escrevia. Ele deixou para nós sua própria autobiografia, como ela é.
Na verdade, eu mesmo e todos os devotos que auxiliam neste grande trabalho estão apenas adicionando combustível – que tornou-se inexaurível – ao mesmo fogo que começou no dia em que onze pecadores falsamente declararam ser tão bons quanto Deus. Agora chegou a hora da frutificação completa deste serviço tão importante para a Causa Absoluta da missão do Senhor Caitanya Mahaprabhu. Jaya Srila Prabhupada. Hare Krishna.















































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